Dr. Marco Rocha Loures participou de trabalho científico sobre recomendações de infecção por tuberculose em pacientes com doenças auto imunes reumatológicas.

O artigo científico em que o Dr. Marco Rocha Loures participou faz parte de um esforço nacional para criar recomendações brasileiras sobre o manejo da infecção por tuberculose (TBI) em pessoas com doenças autoimunes reumatológicas, como artrite reumatoide, lúpus e espondilite. Esses pacientes, por usarem medicamentos que reduzem a imunidade (como os imunossupressores e os biológicos), têm maior risco de desenvolver tuberculose ativa, mesmo quando já tiveram apenas o contato com a bactéria. O trabalho reúne evidências científicas e a experiência de mais de 40 especialistas de diferentes áreas para orientar médicos na prevenção, diagnóstico e tratamento da infecção por tuberculose nesse grupo de pacientes.

A importância desse estudo está em reduzir complicações e salvar vidas, já que a tuberculose ainda é uma das doenças infecciosas que mais matam no mundo — especialmente em países como o Brasil, onde é considerada prioridade pela OMS. As novas recomendações ajudam profissionais de saúde a identificarem corretamente quem precisa de exames preventivos, quando iniciar o tratamento profilático e como monitorar pacientes em uso de medicamentos imunossupressores. Isso garante mais segurança aos tratamentos reumatológicos e contribui para o controle da tuberculose no país.

Confira abaixo um trecho traduzido do artigo:

Contexto

O risco de infecção por tuberculose (TBI) e sua progressão para a doença tuberculose (TBD) em pessoas com doenças inflamatórias imunomediadas (IMID) resulta de uma interação complexa entre características do paciente e da doença, nível de imunossupressão e contexto epidemiológico. As recomendações brasileiras ainda são pouco claras sobre o rastreamento da TBI e seu tratamento preventivo (TPT) em pessoas com IMID.

Objetivo

Fornecer um guia abrangente e baseado em evidências para o manejo da infecção por tuberculose em pessoas com IMID no Brasil.

Métodos

Um grupo de trabalho foi formado por 42 especialistas com interesse em IMID e TBD. Uma equipe central de liderança (CLT) elaborou quatorze perguntas clínicas sobre o risco de tuberculose e as indicações para o tratamento preventivo (TPT) entre pessoas com IMID que iniciaram ou estão prestes a iniciar o uso de medicamentos imunossupressores. A CLT supervisionou as revisões sistemáticas e formulou as recomendações. Os especialistas votaram utilizando o Método Delphi.

Resultados

Foram estabelecidas nove recomendações. Mais de 80% dos participantes votaram “de acordo” ou “totalmente de acordo” com todas as afirmações. De forma resumida, todas as pessoas com IMID que iniciam ou estão prestes a iniciar tratamento imunossupressor devem realizar o teste tuberculínico (TST) ou o ensaio de liberação de interferon-gama (IGRA), exame de imagem do tórax e investigação de contato com casos ativos de tuberculose pulmonar ou laríngea. O tratamento preventivo da tuberculose (TPT) é obrigatório para aqueles com qualquer resultado positivo, após exclusão de tuberculose ativa. As exceções incluem indivíduos com histórico prévio de TBD ou teste positivo anterior para TBI. O IGRA é preferido apenas em pessoas vacinadas com BCG nos últimos dois anos. Aqueles com resultado inconclusivo no IGRA podem repetir o exame uma vez, e o TPT deve ser oferecido se o resultado permanecer indeterminado. O TST ou IGRA deve ser repetido anualmente, por três anos, quando o teste anterior for negativo, ao iniciar ou mudar para uma classe diferente de medicamento imunossupressor. No geral, os estudos incluídos apresentaram baixa qualidade de evidência e alto risco de viés.

Conclusões

Essas diretrizes têm como objetivo aprimorar o manejo da infecção por tuberculose em pessoas com IMID. Os profissionais de saúde devem considerar o risco epidemiológico, as características do paciente, o contexto social, as particularidades da doença, o acesso aos recursos de saúde e desenvolver um plano individualizado para cada paciente.